Produtividade da soja terá queda de 10,9%

O acompanhamento mensal da safra de grãos realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quinta-feira (10), destaca mais uma consequência negativa da estiagem registrada em Mato Grosso do Sul. 

A primeira foi divulgada na 1ª semana de janeiro, quando a Associação de Produtores de Soja (Aprosoja/MS), por intermédio do monitoramento realizado em todas regiões do Estado no Siga Web, confirmou que o percentual de produção terá uma queda na produção de, no mínimo, 11%. 

Cabe destacar que a estimativa inicial de produção para o Estado foi de 10 milhões de toneladas, caracterizando uma super safra, obtida em 2,82 milhões de hectares semeados para o ciclo 2018/2019. 

Segundo o diretor executivo da associação, Frederico Azevedo, ainda é cedo para estabelecer dados de perdas, visto que a colheita começou a pouco tempo.

"Como estamos na metade da safra, há de se esperar a consolidação da colheita para confirmarmos de quanto será o índice de perda ou recuperação. O produtor acaba trabalhando com a média geral de produção de sua propriedade, sendo que é normal haver variações por variedade plantada, época de plantio e talhão plantado, entre outros fatores", explica. 

Azevedo acrescenta que para as variedades de soja que tiveram ciclos mais curtos ou foram plantadas a partir do fim do vazio sanitário em 15 de setembro, as perdas serão irreversíveis. 

"Como a semeadura deu-se de forma espaçada, ou seja, foram registrados plantios até 16 de novembro, há possibilidade real de manutenção de produtividade nas outras lavouras. O fato de ainda estarmos na metade do ciclo indica ainda a possibilidade de uma recuperação da produtividade, entretanto, fato é que uma super safra no MS como era esperada dificilmente irá se concretizar", conclui o diretor da Aprosoja/MS.

PRODUTIVIDADE

Uma das análises feitas pela equipe técnica da Conab aponta que a instabilidade climática resultou em estiagem em algumas regiões do Estado. O impacto imediato será verificado no volume de produção e na produtividade de sacas colhidas por hectare. A estimativa é de que aconteça uma quebra de 10,9%, o que representa diminuir de  3.593 kg/ha da safra anterior para 3.200 kg/ha. 

A justificativa técnica para esta previsão destaca que o estresse hídrico e as temperaturas elevadas resultou no amarelamento precoce das folhas, e em casos mais graves no total murchamento. 

Além disso houve antecipação da maturação das lavouras mais antigas, que foram semeadas em setembro e início de outubro, prejudicando a floração e o enchimento de grãos das demais lavouras. 

De acordo com a Conab, a definição geral das perdas só será possível após a normalização do clima, pois está acontecendo muita variação no período de chuvas, que oscilam entre 12 e 25 dias. 

CENÁRIO ATUALIZADO

Conforme o monitoramento realizado na última semana de dezembro, cerca de 20% das lavouras de soja de Mato Grosso do Sul encontravam-se em fase vegetativa, 35% em floração, 40% na etapa de enchimento dos grãos e 5% já em fase de maturação. 

Sobre a qualidade das lavouras, a avaliação dos técnicos da Conab é de que 35% estão boas, 55% em situação regular e 10% ruins. Em contrapartida, a informação positiva é de que pragas e doenças não tiveram registros considerados relevantes, em razão da rapidez no combate aos problemas identificados.